A Anatomia da Necropolítica, de Achille Mbembe
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概要
Neste episódio do Papo de Causa, Patrick Anderson, iremos dessecar de forma técnica o livro “Necropolítica”, de Achille Mbembe, para além da leitura sociológica já consagrada no Brasil. A partir de uma abordagem jurídico-crítica, o episódio investiga como o poder soberano contemporâneo se converte em gestão sistemática da morte, especialmente em contextos marcados por colonialismo, racismo estrutural e estados de exceção permanentes.
Começamos pela desconstrução do “romance da soberania” e pela crítica à ideia de Constituição como espaço neutro, evidenciando como direitos fundamentais são aplicados de forma seletiva em nossas periferias e favelas, transformadas em verdadeiras “zonas de morte” e suspensão do Direito em nome da segurança pública. A discussão avançada para o biopoder foucaultiano e sua reconfiguração em Mbembe, com o racismo operando como tecnologia central de separação entre aqueles que devem ser protegidos e aqueles que podem ser deixados para morrer, produzindo “mundos de morte” e tradições como “mortos-vivos”. A partir dessa chave, o episódio problematiza a construção jurídica do “inimigo ficcional”, a seletividade penal, a precarização de corpos negros no mercado de trabalho e a permanência de uma morte social produtiva nas relações laborais brasileiras.
Retomando a plantation como laboratório originário do necropoder, examinamos a figura do escravizado como vida em injúria permanente, mantidos em uma condição de “morte em vida”, e traçamos paralelos com jornadas exaustivas, condições degradantes de trabalho e a insuficiência das respostas indenizatórias do Direito Civil frente ao racismo estrutural. A colônia aparece, então, como espaço jurídico em que o jus publicum europaeum é suspenso, autorizando massacres e violências não reconhecidas como crime, o que ilumina conflitos contemporâneos envolvendo povos indígenas, trabalhadores rurais e disputas territoriais no Brasil.
No bloco dedicado ao necropoder tardio, abordamos a “soberania vertical” e a “guerra infraestrutural”, conceitos inspirados em Eyal Weizman, para pensar como o controle por volumes (céu, superfície e subsolo) e a destruição de infraestrutura (água, luz, hospitais, circulação) se convertem em armas políticas de gestão da morte. A partir daí, aproximamos essas dinâmicas de ocupações militares e operações policiais em territórios periféricos, onde o corte de serviços básicos e o cerco territorial produzem um estado de exceção espacializado e contínuo.
Por fim, discutimos as “máquinas de guerra” da globalização (milícias privadas, empresas transnacionais e redes extraterritoriais de violência) que administram recursos e corpos para além dos limites clássicos do Estado, deixando refugiados e deslocados em uma zona de não-direito, sem proteção previdenciária ou civil mínima. Encerramos com as reflexões de Mbembe sobre martírio, sobrevivência e morte como última agência possível frente à opressão, articulando essas ideias a Fanon, Canetti e à tarefa crítica de um Direito comprometido em romper com a naturalização dos “mundos de morte”.
Se você tem interesse em ampliar a sua leitura jurídica para além dos códigos e jurisprudências, este é o seu espaço. O Clube Aya propõe uma jornada de descolonização do olhar e construção de uma justiça que considere as bases reais da nossa sociedade.
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Referências Técnicas:
Mbembe, Achille. Necropolítica.
Foucault, Michel. Em Defesa da Sociedade.
Hegel, G.W.F. Fenomenologia do Espírito.
Bataille, Georges. O Erotismo e A Parte Maldita.