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A Vida não é o que Aparece

A Vida não é o que Aparece

著者: Inês Duarte Freitas/PÚBLICO
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Entrevistas sobre a vida que vemos e mostramos nas redes sociais, com Inês Duarte de Freitas.

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エピソード
  • Bárbara Tinoco: “Odiei estar grávida, acho que não há mal nenhum nisso. E amei ser mãe”
    2026/05/19

    Bárbara Tinoco é inseparável da sua própria música. Diz que escreve canções sobre o que sente na esperança de que alguém já tenha sentido o mesmo. Tem sido assim desde Antes Dela Dizer Que Sim, a canção que lançou a sua carreira, em 2019. Em menos de uma década tornou-se uma das vozes mais conhecidas da sua geração e a única portuguesa a ter um concerto na Disney+, gravado na Meo Arena, quando estava grávida da sua filha, Masha, a quem dedica o novo álbum Hormonal. E quanto às redes sociais, tem 324 mil seguidores só no Instagram e mais de 420 mil ouvintes mensais no Spotify.

    “Acho que é impossível ser a mesma pessoa depois de ter um bebé. É uma experiência demasiado transformadora e ainda bem”, declara a cantora, que, um mês e meio depois de ser mãe, regressou à estrada para dar concertos. “Sempre quis ser mãe nova e a mim não me retirou nada — apenas acrescentou muitas coisas”, insiste a última convidada da primeira temporada de A Vida Não é o Que Aparece, que até vai mais longe: “Nunca tinha sido tão feliz até ser mãe.”

    Nem tudo são rosas e a gravidez foi uma fase difícil em que se sentiu mais “vulnerável” do que nunca. “Odiei estar grávida, mas acho que não há mal nenhum nisso. Odiei estar grávida e amei ser mãe”, reforça. Este é o “período mais hormonal” da vida de uma mulher, motivo por que chamou ao seu terceiro disco Hormonal, levando também um toque de ironia. “É este insulto que é dito a nós mulheres desde sempre. Quando estás muito apaixonada na adolescência, dizem que são as hormonas. Quando estás muito chateada, estás com o período. E quando és mãe estás sempre hormonal — que é verdade — mas é dito de forma forma pejorativa.”

    O novo disco é também uma carta para a filha, que conta a história de amor entre Bárbara Tinoco e o namorado, o guitarrista Feodor Bivol. “O meu maior objectivo enquanto mãe é que a minha filha, independentemente do que ela fizer na vida, o erro mais estúpido que ela fizer, saiba que me pode sempre ligar. 'Mãe, eu fiz isto, o que é que eu faço?' Ela sabe que a mãe vai entender”, diz Tinoco.

    Preocupa-se com educar uma filha nesta era das redes sociais, que a própria Bárbara Tinoco evita em alguns momentos, apesar de reconhecer a sua importância para a divulgação da música. “Não sei lidar muito bem com a parte negativa das redes sociais”, desabafa. “Acho que não fomos feitos para ler aquilo que pensam sobre nós o tempo todo”.

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  • Bruno Gonçalves. "O politicamente correcto destruiu a base do diálogo" nas redes sociais
    2026/05/12

    Bruno Gonçalves é natural de Braga e, nos intervalos de uma formação em Engenharia Mecânica, assumiu cargos de liderança na Juventude Socialista, foi membro do Conselho Nacional de Juventude, deputado da Assembleia Municipal de Braga e um dos vice-presidentes mais jovens da Internacional Socialista. Em 2024, foi eleito eurodeputado pelo Partido Socialista. Isto tudo antes de fazer 30 anos. Acaba ainda de lançar o movimento Bora sobre o discurso de ódio nas redes sociais. Tem mais de 96 mil seguidores no TikTok e 83 mil no Instagram.

    A presença digital foi a resposta directa ao crescimento dos populismos nestas plataformas digitais, reconhece o socialista, que é o 16.º convidado do podcast A Vida Não É o Que Aparece. “O espaço democrático – não digo só a esquerda, acho que é o espaço democrático moderado – estava completamente alheado de uma esfera da sociedade que é a esfera digital”, declara, defendendo: “É muito importante que, aconteça o que aconteça do ponto de vista da evolução tecnológica, a política não fique para trás. Porque, se não, vai parecer antiquada, vai parecer velha e vai parecer desactualizada”.

    Nesse ímpeto de levar a política às redes sociais e sobretudo aos mais jovens, apercebeu-se que o “discurso inflamado e reaccionário” é o que mais vende nestas plataformas. Foi daí que nasceu o movimento Bora, que levou a nove escolas secundárias debates sobre a polarização de temas como imigração, cultura de cancelamento, liberdade de expressão, privacidade online ou redes sociais e algoritmo, que serão partilhados em breve nas plataformas digitais. “O mais importante é ter a habilidade de conversar. E as redes sociais tiraram muito disso, porque uma pessoa que não quer perder três minutos a escrever um comentário com um conjunto de dados, não se inibe de escrever em três segundos o que acha desprezível naquela ideia, naquela pessoa ou naquele vídeo”, lamenta.

    É por isso que defende que deve haver “uma responsabilização maior” sobre o discurso de ódio nas redes sociais, apesar de não querer limitar a liberdade de expressão. “Gostava de replicar nas redes sociais o que se passa no mundo real. Os jovens quando estão a falar cara a cara têm muito mais espaço para a empatia. Só que eles raramente têm espaço e tempo para falarem uns com os outros.” É que, conclui, “a maior ilusão que [as redes sociais] nos vendem é que não há vida além delas, quando é exactamente o contrário”.

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    1 時間 5 分
  • Filipa Gomes: “Pus-me no papel da mãe que tudo pode. Mas não somos capazes durante muito tempo”
    2026/05/05

    Filipa Gomes cresceu no campo, como a própria diz, entre vacas e couves. Sempre adorou comer, mas só começou a cozinhar muito mais tarde. Quis ser designer de moda e acabou se tornar publicitária. Isto até ao dia em que participou num casting do 24Kitchen e se tornou apresentadora do Prato do Dia. Seguiram-se Cozinha com Twist e Os Cadernos da Filipa, transformados também em livros de receitas. Hoje é um dos rostos mais conhecidos da culinária portuguesa e também ensina a cozinhar os seus mais de 525 mil seguidores.

    Foi há mais de uma década que Filipa Gomes apareceu no ecrã e a sua imagem, bem como o tom coloquial que utilizava nos programas, surpreenderam os mais conservadores do meio da cozinha – nunca se intitulou chef e ainda hoje prefere ser chamada de cozinheira e criadora de conteúdos. “Por que é que tens as unhas pintadas? Por que é que estás de batom? Por que é que estás assim vestida? Por que é que estás tão arranjada?”, reproduz, falando de algumas críticas que ouvia, muitas vezes sobre o seu corpo.

    O seu corpo ainda continua a ser tema nas caixas de comentários, até nos vídeos de receitas, onde os seguidores sentem “legitimidade” para falar da sua forma física, diz. “É um tema muito delicado para mim. É pública a minha luta constante com o peso, com as minhas medidas, o ser gorda ou não…”, desabafa no podcast A Vida Não É o Que Aparece, onde garante que nunca deixou que as inseguranças se reflectissem no trabalho, apesar de pesarem na saúde mental.

    Foi sempre essa a sua prioridade: dar o melhor no trabalho. “Tinha muita urgência em não deixar cair os pratos todos que tinha posto no ar. Mais o peso de querer ser a mãe perfeita. Queria que tudo fosse perfeito e isso passou uma factura muito grande a nível psicológico”, conta, falando de um burnout por que passou recentemente. “Pareço sempre esta pessoa superalegre e superentusiasmada, mas tenho uma tendência para a melancolia e para a tristeza”, confessa, deixando uma mensagem : “Pus-me muito nesse papel da mãe que tudo pode. Não é preciso”.

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