JOÃO CANALHA: 'SAÍ DA ESPN. E NUNCA MAIS ME DERAM EMPREGO. PORQUE O BRASIL ESTÁ DIVIDIDO.'
カートのアイテムが多すぎます
カートに追加できませんでした。
ウィッシュリストに追加できませんでした。
ほしい物リストの削除に失敗しました。
ポッドキャストのフォローに失敗しました
ポッドキャストのフォロー解除に失敗しました
-
ナレーター:
-
著者:
João Carlos Albuquerque. Revolucionário, irônico, inteligente. Foi muito além da apresentação esportiva. Tirou o telespectador da apatia de apenas acompanhar o noticiário.Apaixonado por cinema, transformou, em quem se deliciava a assistir a ESPN, em cúmplice. Ativo. Com direito a voz. E a ser profundamente provocado."Entendi que a televisão precisa de interação. Nada de o apresentador ficar horas lendo notícias. Comigo, não. Fiz questão de questionar, dar voz a quem gosta de esporte. Inclusive para me criticar, xingar. Me xingavam, mas ouviam de volta", relembra, sorrindo, como um garoto.E, sim, a palavra mais usada foi a que se tornou seu 'sobrenome'. 'Canalha.'João Carlos foi moldado no rádio e na emoção. Seu pai, narrador e advogado. A mãe, atriz. Nascido em Brotas, se tornou repórter esportivo em Santos, convivendo intimamente com o melhor time de todos os tempos. Batia bola com Pelé, Edu, Clodoaldo. Seu poder à frente do microfone e o fisionomia de galã italiano o levaram para a televisão. Cobriu Copas do Mundo. Questionador por natureza, logo teve programa na rádio onde cobrava políticos pela melhoria do país.Mas o Brasil o descobriu de vez na ESPN. Ficou de 1995 a 2019."Foi um período muito revolucionário. O José Trajano era o meu chefe e ele dava espaço para que fôssemos muito além do esporte. Contextualizávamos, mostrávamos o Brasil de verdade. O que sempre esteve atrás da organização do futebol, por exemplo."'Canalha' foi o termo que consagrou para atacar dirigentes, primeiro. Depois, passou a ironizar a todos. Até mesmo o humorista Jô Soares foi chamado de Canalha e acabou se tornando amigo de João Carlos."Foi tudo muito bom. Até que o Brasil se dividiu politicamente. E não teve mais espaço para mim, que sempre contestei a maneira que o Brasil e o brasileiro são tratados. Nunca mais fui chamado para trabalhar no esporte."E como nunca fui de guardar dinheiro, não estou pobre. Estou muito pobre!', diz, sorrindo, irônico.João canta muito bem e participou do programa 'The Voice Brasil', em 2021. Os colegas jornalistas esportivos torceram muito por ele. Quem o conhece se torna seu amigo, seu fã.Não ganhou. Mas segue cantando nos bares da vida. Cantando, contando suas histórias e escrevendo um interminável livro sobre cinema italiano, sua paixão.O sorriso maroto, as provocações, o raciocínio fulminante seguem como marca registrada. Ele desafia até seu RG.Impossível acreditar que daqui oito dias completará 71 anos.O jornalismo esportivo desse país sente muita falta desse 'Canalha'...