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Cosme Rímoli

Cosme Rímoli

著者: Cosme Rímoli
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Jornalista esportivo Cosme Rímoli entrevista grandes nomes do universo do esporte em um bate-papo sobre o que rola dentro e fora de campo.Cosme Rímoli
エピソード
  • JOÃO CANALHA: 'SAÍ DA ESPN. E NUNCA MAIS ME DERAM EMPREGO. PORQUE O BRASIL ESTÁ DIVIDIDO.'
    2026/06/16

    João Carlos Albuquerque. Revolucionário, irônico, inteligente. Foi muito além da apresentação esportiva. Tirou o telespectador da apatia de apenas acompanhar o noticiário.Apaixonado por cinema, transformou, em quem se deliciava a assistir a ESPN, em cúmplice. Ativo. Com direito a voz. E a ser profundamente provocado."Entendi que a televisão precisa de interação. Nada de o apresentador ficar horas lendo notícias. Comigo, não. Fiz questão de questionar, dar voz a quem gosta de esporte. Inclusive para me criticar, xingar. Me xingavam, mas ouviam de volta", relembra, sorrindo, como um garoto.E, sim, a palavra mais usada foi a que se tornou seu 'sobrenome'. 'Canalha.'João Carlos foi moldado no rádio e na emoção. Seu pai, narrador e advogado. A mãe, atriz. Nascido em Brotas, se tornou repórter esportivo em Santos, convivendo intimamente com o melhor time de todos os tempos. Batia bola com Pelé, Edu, Clodoaldo. Seu poder à frente do microfone e o fisionomia de galã italiano o levaram para a televisão. Cobriu Copas do Mundo. Questionador por natureza, logo teve programa na rádio onde cobrava políticos pela melhoria do país.Mas o Brasil o descobriu de vez na ESPN. Ficou de 1995 a 2019."Foi um período muito revolucionário. O José Trajano era o meu chefe e ele dava espaço para que fôssemos muito além do esporte. Contextualizávamos, mostrávamos o Brasil de verdade. O que sempre esteve atrás da organização do futebol, por exemplo."'Canalha' foi o termo que consagrou para atacar dirigentes, primeiro. Depois, passou a ironizar a todos. Até mesmo o humorista Jô Soares foi chamado de Canalha e acabou se tornando amigo de João Carlos."Foi tudo muito bom. Até que o Brasil se dividiu politicamente. E não teve mais espaço para mim, que sempre contestei a maneira que o Brasil e o brasileiro são tratados. Nunca mais fui chamado para trabalhar no esporte."E como nunca fui de guardar dinheiro, não estou pobre. Estou muito pobre!', diz, sorrindo, irônico.João canta muito bem e participou do programa 'The Voice Brasil', em 2021. Os colegas jornalistas esportivos torceram muito por ele. Quem o conhece se torna seu amigo, seu fã.Não ganhou. Mas segue cantando nos bares da vida. Cantando, contando suas histórias e escrevendo um interminável livro sobre cinema italiano, sua paixão.O sorriso maroto, as provocações, o raciocínio fulminante seguem como marca registrada. Ele desafia até seu RG.Impossível acreditar que daqui oito dias completará 71 anos.O jornalismo esportivo desse país sente muita falta desse 'Canalha'...

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  • PALINHA: 'TENHO ÓDIO EM VER O SÃO PAULO DE HOJE. OS JOGADORES NÃO SABEM A LUTA PARA O CLUBE SER GIGANTE'
    2026/06/09

    Ele foi um grande injustiçado.O bairrismo o atingiu em cheio.Jogador especial, talentoso, driblador, artilheiro. Antevia os lances. Peça fundamental na conquista de duas Libertadores, dois Mundiais do São Paulo. Na Libertadores do Cruzeiro. 17 títulos na carreira.Ídolo no Brasil e no Peru.Titular nas Eliminatórias.Foi deixado de lado na convocação para a Copa de 1994."Essa é uma mágoa que carrego. Não vou ter falsa modéstia. Sei que deveria estar na Copa de 1994. Fui titular nas Eliminatórias. Faltou um pouco de honestidade comigo. Para o Zagallo não posso perguntar mais. E também não vou perguntar porque o Parreira fez isso comigo."O desabafo é mais do que justificável. A carreira de Palhinha fala por ele. "Ele era incrível. Conseguia abrir espaço nos times adversários. Era diferenciado", admite Muller, que é muito econômico nos elogios a outros jogadores.Pelé chegou a dizer que ele estava honrando a camisa 10 da Seleção Brasileira e tinha certeza que iria ser importante na Copa de 1994.Palhinha teve carreira fulminante e abençoada. Com grande talento na base, chegou a ser trocado por um alambrado, quando era garoto, em Minas Gerais. Jogando no América, revoltado por ser o destaque do time e receber muito pouco, vendia remédios para completar sua renda. Estava a ponto de desistir da carreira, quando Telê Santana mandou contratá-lo para o histórico São Paulo que estava montando.A relação entre Palhinha e Telê teve muitos altos e alguns momentos difíceis, pelas personalidades fortes dos dois. Mas o elenco montado foi com tanto acerto, que conquistou duas Libertadores, dois Mundiais de Clubes. E ainda chegou à uma terceira decisão de Libertadores. Palhinha foi destaque nestas campanhas inesquecíveis. Gigantes europeus tentaram comprá-lo, mas o São Paulo não o negociou. Por ironia coube ao meia cobrar o pênalti que Chilavert defendeu, evitando o tri seguido da Libertadores."Sofri demais. Mas sei o que ajudei a construir a história vitoriosa do São Paulo. Por isso fico com ódio quando vejo as partidas de hoje em dia. Os jogadores não sabem a grandeza do clube que estão. Não vibram, aceitam as derrotas normalmente. Não gosto nem de assistir, para não passar raiva."Palhinha fez história também no Cruzeiro, onde conquistou a Libertadores.

    "Foi logo em seguida à minha saída do São Paulo. Mostrei para o Telê o quanto estava errado em me liberar. Dei a resposta."Ele recebeu a camisa 10 de Dirceu Lopes, o maior jogador da história cruzeirense.Pelé e Dirceu Lopes são excelentes testemunhas do talento de Jorge Ferreira da Silva. Palhinha define a entrevista que deu ao canal como 'reveladora demais'.

    Eu defino como histórica.Quem quiser conhecer Palhinha e Jorge tem o caminho...

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  • JANAINA XAVIER: 'ENFRENTEI MACHISMO, PRECONCEITO. CRISE DE ANSIEDADE. E FUI INJUSTIÇADA.'
    2026/06/02

    A maior injustiça da história da tevê paga.

    Não é a entrevistada quem fala.

    Mas jornalistas que trabalharam com ela.

    Foram 23 anos no grupo Globo.

    "Nunca imaginei que a minha saída fosse acontecer da maneira que foi. Lógico que foi injusta. Se as mulheres de agora se sentem desbravadoras, não sabem como era trabalhar no futebol há 25 anos. Enfrentei machismo, preconceito. A mulher não era aceita no mundo do futebol. Pelos próprios jornalistas, quanto mais os jogadores, treinadores. Só eu sei o que passei para ter uma carreira consolidada", desabafa, Janaina.

    Decidiu trabalhar com futebol incentivada por seu pai, Raul, ex-jogador do Athletico e que, quando estava negociando para jogar no Fluminense, decidiu investir na carreira de médico. Extrovertida, dona de personalidade forte, culta e muito bonita, ela conseguiu espaço na tevê em Curitiba, na RPC, afiliada da TV Globo, no Paraná.

    Se destacou e logo passou a fazer matérias importantes em São Paulo e Rio de Janeiro.

    "Peguei uma época de treinadores que davam medo, como Felipão e Leão. Eles eram ríspidos demais. Mas os enfrentava e fazia as matérias que me propunha a fazer. Cantadas? Jogadores me davam seus telefones por meio de assessores de imprensa. Amassava e jogava fora. Eles acabaram entendendo e me respeitando. Eu estava trabalhando. Acabei me impondo como repórter. Mas foi muito sofrido. Eu sempre tive de provar meu talento, por ser mulher. O desgaste era imenso. Xingada nos estádios, era pressão por todo lado."

    Em 2008 foi contratada pelo Sportv. Se tornou um dos principais nomes da emissora. Fez Olimpíadas, Copas do Mundo. 'O meu auge foi a Copa da Rússia, apresentar o meu programa da Praça Vermelha, em Moscou. Estava muito feliz. O trabalho deu tudo certo. Tinha conquistado o meu espaço."

    A dedicação total ao emprego custou uma crise de ansiedade. Teve de sair de ambulância da TV Globo. Dias depois, estava trabalhando, como se nada tivesse acontecido.

    Janaina foi casada com o narrador Luiz Carlos Júnior, entre 2007 e 2019. Trabalharam em inúmeras transmissões. Eles tiveram a filha Maria Eduarda. O casamento acabou. A vida seguiu, ela casou com o advogado Gustavo Guedes. E engravidou da filha Maria Vitória.

    'Era pandemia, fui para Curitiba para ter uma gravidez segura, ao lado da minha família. Me falaram que estava tudo certo. Tive a Mavi. E fui para o Rio, pensando em voltar a trabalhar.

    "Mas o meu novo chefe me falou que tinha contratado uma outra pessoa para a apresentação. Não tinha mais o meu emprego. Ele disse que pensou que eu não 'voltaria mais a trabalhar'. Jogaria no lixo 23 anos de carreira. Simples assim. Acabei injustiçada por uma pessoa. Não pela emissora, pelo grupo Globo, onde sempre fui tratada com o maior cuidado."

    Em maio de 2022 chegava ao fim a trajetória da repórter muito competente e excelente apresentadora dos programas Tá na Área, Planeta SporTV e SporTV News. "Foi um choque enorme. Não vou negar."

    Janaína resume de maneira irônica o atual momento das apresentadoras de esporte no Brasil.

    "Eu dei uma entrevista e fui mal interpretada. O que acontece é que há uma diversidade, que acho justa. Acabou a era das 'Barbies', que eu acho que fiz parte. Ou seja, as mulheres bonitas, magras, que se encaixavam em um estereótipo. Há lugar para todas as pessoas, magras, bonitas, feias, negras. O que é muito democrático. Só acredito que o critério precisa ser meritocracia. Quem for melhor fique com a vaga. Não por ter certo aspecto físico."

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